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Texto: Morte como sonho

 

 

 

Eu me chamava Helena Felix, estava muito depressiva quando ainda era viva… Eu estava em um estúdio de tatuagens  terminando a minha tatuagem da mão direita, o desenho era indiano e não tinha um significado importante, alias, eu não me achava importante. Assim que terminei a sessão de tatuagem, fui  caminhando para a casa, para pegar meu cachorro Boris, para passear. Mas antes que eu atravessa-se a rua, foi como se tivesse passado uma manada de elefantes por cima de mim, fui atingida por um carro em alta velocidade e lançada a 1 km de distancia de onde eu estava.

 

Quando acordei estava em uma praça desconhecida, onde estavam um casal de namorados, eu sem muita opção fui atrapalhar o casal. Fui me aproximando e eles não notaram minha presença, tentei falar e nada da minha boca saiu, olhei melhor para o casal  e os reconheci, eram meus pais sorrindo e conversando.

De repente o lugar onde eu estava era uma estação de trem, escutei uma risada doce e suave, era a risada de quem eu mais gostava de escutar, Daniel. Olhei para o meu lado direito e o vi, com uma garota, e a garota era eu que estava sorrindo e fazendo graça para ele rir, que eu me lembre aquela era a lembrança mais linda que de quando ainda estávamos juntos.

E então a cena mudou, agora vi minha irmã e minha sobrinha, brincando no Central Parque de minha cidade, mas dessa vez minha sobrinha me viu, olhou para mim riu e sussurrou “eu te amo titia”.

 

 

 

E mais uma vez tudo mudou, agora não tinha ninguém de minha família ou quem eu amava, eu estava sozinha, tinha uma árvore com balões chineses pendurados e um espelho na minha frente que mostra o meu reflexo. Uma mulher sem maquiagem, loira com o cabelo ondulado, olhos claros mas sem todos os meus piercing que eu tinha colocado.

 

E pela ultima vez o cenário mudou, eu estava de pé em uma muralha, se eu fosse para frente eu caia e se eu fosse para traz também caia, nunca estive naquele lugar então eu torci para que o cenário mudasse rápido.

– Helena Felix!

Falou alguém que estava atras de mim, mas como seria possível isso? Sem muita opção eu fui me virando para ver quem era, e quando eu olhei era um anjo, ou melhor, uma anja de cabelos castanhos encaracolados até a cintura, com um vestido longo branco e com asas gigantescas que eu diria medir dois metros.

– Quem é você? – perguntei

– Helena querida. – ela disse com sua voz doce e suave – Eu me chamo Agnes, sou sua anja da guarda, sua protetora. Trago-lhe uma noticia terrível.

– Qual é a noticia? DIGA LOGO!

– Você esta morta e…

– Como assim estou morta? Acabo de ver meus pais na praça, eu e Daniel na estação de trem rindo, minha irmã e minha sobrinha no Central Parque, e eu mesma no espelho! Isto é um sonho do qual eu quero acordar AGORA!

– Se fosse tão fácil Helena. O que você teve foram flash pack da sua vida. Você não se achava importante, mais para aqueles que apareceram você era muito importante, mas você não deu valor a tudo o que você tinha, não deu valor a sua própria vida, e hoje você começa sua morte como um eterno sonho.

E foi só isso que eu me lembro, é só isso que eu lembro de mim mesma.

 

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